A linha que me divide
é como o horizonte.
Distante, exata
corta e marca
os limites entre
dois gigantes.
Alto, ou Minha terra-céu.
Meu vôo alcança o mar,
pedra, terra e frio vento
meu entrelugar de nuvens
e a visão do mundo por cima.
Meu império azul e intocável
indestrutível viver em cima
se canso desço e se ameaçado
subo até o começo, em verso.
Levito deitado sobre a sofreguidão
alheia embaixo, abaixo de ser eu
eu em cima de tudo e do mundo
que só despenco do meu mundo
[se vontade, assim, me dá.
(Arpoador, 22 de novembro de 2011)
O que aprender do natural
A dureza da rocha
que permanece e
não cresce.
sua forma enfrenta
o mar e sua tormenta
o vento veloz e
até mesmo o fogo não é algoz.
Aprendei com a rocha
voz dura que rompe
a vil felicidade torpe
e os instantes que dura
não a rocha – força pura.
(Arpoador, 22 de novembro de 2011)
A árvore de mim, ou Interior
Simples é minha busca: quero embebedar-me do orvalho
Da frondosa árvore que nasceu dentro de mim.
As folhas de formatos todos e nenhum tingidas com
O verde todas as cores de meus desejos.
Os frutos caem, e logo colocam-se
A germinar novamente outro ramo da mesma árvore
E quando liberto, vez em quando, meus pássaros
Da gaiola dourada da minha oculta razão, levam e espalham
Minha árvore para cantos que não sei se crescem.
Minha terra, porém, faz tempo que não tem sol
E um alvorescer molhado de orvalho, o aquele!
Chega quase a se nascer, antes que eu acorde
Mas deparo-me ainda com a escuridão e a secura,
Quando dou-me por mim, e olho a dentro.
Sinto que se deixo de olhar, o sol se fará mas se
Me deixo a não olhar por muito tempo, a força
Da luz, do calor que fará evaporar orvalho, minha vontade
Meu caminhar, a solução de minha sede de mim mesmo.
agramatical
eu amo
eu amas
eu ama
eu amamos
eu amais
eu amam
longe
não sempre, escurece cedo
enlunece-se o sol
mal se nasce, se nasce.
não sempre, mas escurece
simples: assim que se
sabe sim de tua ausência.
consigo segue o sol
some-se sempre o sabor
de ser meu só.
A pedra.
Busco a pedra indecifrável
E das escrituras sagradas dela
Ler o que há em mim de mais inalterável.
Palavras nossas, difíceis
Revelam Deus, o universo, o pensamento
A linguagem sem abismo, o querer
O ser e o estar nelas se explicitam.
O nós, o eu que não se vê
e que nunca vi.
Poderei ver o que irei ler
quando achar?
…