Poema alterado

uma espiral espirrada ao acaso
sobre os vales aflitos de nostalgia
varre a poeira milenar de pedras gastas.
o mistério das virgens grávidas a
expelir maravilhas pelas ondas do rádio
um cristal em sua mão é chave
da porta que separa desejos e certezas
e contém a arca do que se quer ver.
saboreando passos íntimos
enxugando minha boca verborrágica
juntando cacos do tempo passado
sigo a trilha circular
da via etérea como álcool
que evapora de espumas seus saberes
até que a fumaça revisite
as alucinadas noites veranis
estrelas caras como o
alimento do insensato
diferente da mestruação das
moscas sobre seu corpo
enquanto sabores despencam
ao centro da terra que não pulsa
mais que o coração das
borboletas de neve que
compõem o cenário de
não vividas tragédias à beira
dos abismos macios onde
cavam os pássaros meios de
se fincar à terra.
espiral espectral esculpida
por tiranos de boa intenção
salta de clima em clima
por sobre as ilhas que boiam
no ritmo dos oceanos distraídos
no curso da orquestra
que tolos deuses regem.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A linha que me …

A linha que me divide
é como o horizonte.
Distante, exata
corta e marca
os limites entre
dois gigantes.

Nota | Publicado em por | Deixe um comentário

Alto, ou Minha terra-céu.

Meu vôo alcança o mar,
pedra, terra e frio vento
meu entrelugar de nuvens
e a visão do mundo por cima.

Meu império azul e intocável
indestrutível viver em cima
se canso desço e se ameaçado
subo até o começo, em verso.

Levito deitado sobre a sofreguidão
alheia embaixo, abaixo de ser eu
eu em cima de tudo e do mundo
que só despenco do meu mundo
                   [se vontade, assim, me dá. 

(Arpoador, 22 de novembro de 2011)

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

O que aprender do natural

A dureza da rocha
que permanece e
não cresce.
sua forma enfrenta
o mar e sua tormenta
o vento veloz e
até mesmo o fogo não é algoz.

Aprendei com a rocha
voz dura que rompe
a vil felicidade torpe
e os instantes que dura
não a rocha – força pura.

(Arpoador, 22 de novembro de 2011) 

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

A árvore de mim, ou Interior

Simples é minha busca: quero embebedar-me do orvalho
Da frondosa árvore que nasceu dentro de mim.
As folhas de formatos todos e nenhum tingidas com
O verde todas as cores de meus desejos.

Os frutos caem, e logo colocam-se
A germinar novamente outro ramo da mesma árvore
E quando liberto, vez em quando, meus pássaros
Da gaiola dourada da minha oculta razão, levam e espalham
Minha árvore para cantos que não sei se crescem.

Minha terra, porém, faz tempo que não tem sol
E um alvorescer molhado de orvalho, o aquele!
Chega quase a se nascer, antes que eu acorde
Mas deparo-me ainda com a escuridão e a secura,
Quando dou-me por mim, e olho a dentro.

Sinto que se deixo de olhar, o sol se fará mas se
Me deixo a não olhar por muito tempo, a força
Da luz, do calor que fará evaporar orvalho, minha vontade
Meu caminhar, a solução de minha sede de mim mesmo.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

agramatical

eu amo
eu amas
eu ama
eu amamos
eu amais
eu amam

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

longe

não sempre, escurece cedo
enlunece-se o sol
mal se nasce, se nasce.

não sempre, mas escurece
simples: assim que se
sabe sim de tua ausência.

consigo segue o sol
some-se sempre o sabor
de ser meu só.

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário